Memórias autorais
Memórias autorais
Em um espaço da manhã da cidade, é verdade, a cor trepa com a luz e elas ficam fornicando até o sol a pino declarar que agora é diferente, que podem parar com aquilo.
Deixou a marca do pisante compondo as formas geométricas arquitetônicas da cidade.
Imersão nas energias luminosas
Retrato reflexivo
Photopainting
Capoeira: roda sagrada e de tradição
Arquétipo
Adereço urbano
Flâneur
Andou entre as águas como um alvo dos pingos daquele mundo revolto e tomou para si a consciência quase mística de não saber para onde ir antes de evaporar.
Ensaio em movimento
Saída para um mundo colorido
Sinais indisfarçáveis das vocações humanas
Contatos
Numa tarde de inverno, com a luz de céu azul que deixa sua qualidade nas coisas, o melhor era brincar de correr entre as antenas que fazem os vivos se comunicarem com os seres terrenos e com o além mundo.
Luminosidades: entre a mudez e o ruído
Via pela janela incandescente o fragmento de um mundo nas gotas de luz, pedacinhos de histórias destroçadas, palavras assépticas de consolo, o claro silencioso que por um instante faz significar o lugar barulhento de todos os ditos.
Foto pintura:
o dizer imaginário
Uma fotografia não carrega o ônus da palavra que é ser verbalizada. É uma imagem, uma sensação visível. Alguém dirá por ela o que sua propriedade visual não diz, não pode e nem deve dizer. A pintura digital sobre uma foto digital parece criar a condição de uma imagem que diz. Ela conversa com ela mesma, se acomoda no território da autorreferência.
BH, Pampulha
Travessia solitária
À noite, emoldurado por uma escala de cinza granulada, observava serenamente como as coisas tinham desandado enquanto seres lá de fora, festivos, celebravam o que pareciam eternas alegrias. Veio um temporal e dispersou para sempre aquele para sempre.
Festival de cores sonoras
Digitais
As coisas são as pessoas e toda pessoa carrega uma coisa com a marca daquela coisa que se é.
BH, Praça da Estação
BH, Pampulha | Monumento à Iemanjá
Vespertino
A tarde de luz queima o senso, faz brilhar prantos silenciosos, delírios miúdos, tudo por quase nada.
Dança sob paletas de tintas digitais
A realidade certeira foi-se embora com as nuvens rumo aos territórios onde tudo é provisório, relativo e a farsa do viver encontra sua coerência na propriedade inútil do dizer.
Parece haver uma magia antes da música ocupar seu espectro, quando a sonoridade na condição de vir a ser estabelece a tensão entre o que ainda não existe e o que virá na qualidade de som, essa propriedade que faz da palavra inútil ao pretender desesperadamente descrever o que não dá conta.
BH, centro | Longa exposição
Os borrões espalhavam na paisagem os significados pelo infinito. Não eram isso ou aquilo, nem antes, durante e depois.
A noite embalou reluzente as criaturas, embaçou a razão, sepultou as verdades. Todos sobreviveram.
Andou devagarinho pelo amor florescido no jardim, respirou os detalhes vibrantes de suas formas e continuou a caminhada em direção ao horizonte, à aridez sem fim da realidade.
Conheceram-se no movimento de um barco enquanto trocavam as histórias onduladas refletidas que se desfaziam a cada remada.
Soprou a poesia grave do trombone, marcou o tempo com as pinceladas dos outros metais e ainda se manteve de pé estremecido pela percussão. Naquele espaço o lugar mais próximo era a música.
BH, centro | Praça da Estação – cobertura do Arraial de Belô
BH, centro | Praça da Estação – Arraial de Belô
Desatinar
A chuva de luz cadente molhava cada passo relutante que seguia pelo asfalto movediço, fazia o corpo se encharcar com a confusão da mente e os amores cegarem de tanto brilho.
Era só descer a rua. A cidade estava lá adiante, convulsiva, neurótica, repleta de atrativos, prazeres para se consumir, com seus ébrios errantes, o frenesi das luzes espalhadas pelas andanças, penumbras que encobrem os delírios, sinais de humanidade, rastros que anônimos deixaram para trás com suas sombras.
Natureza refletiva no vidro
Passava pelo baile da noite e não despregava os olhos das faíscas da dança, do movimento do sopro de um instante que a terra há de comer.
Deslocar
Na cidade navegável, de luminâncias faceiras, de todos os sonhos ditos possíveis dilacerados, guardava em segredo uma esperança desconfiada enquanto fingia acreditar na motivação consciente de cada passo rumo a um lugar em que não haveria como saber onde é quando estivesse lá.
Impregnadas de som, pela atmosfera que os meios técnicos dão a perceber, a forma e a luz eram o rastro da arte de quem faz música soar como música.
Foto pintura: simulação
“Ao contemplar uma pintura, há um momento em que perdemos a consciência do fato de que ela não é a coisa. A distinção do real e da cópia desaparece e por alguns momentos é puro sonho; não é qualquer existência particular e ainda não é existência geral”. C.S.Peirce.
Da realidade das formas e das cores que se imbricam
Ouço aqui e não é como era dali
Cultura popular e tradicional em exercício
BH, centro | Passarela sob leve chuva
Abriu a janela sem dizer, só para ver. Abandonou a palavra gasta que destroça a garganta antes de ser dita e deixou a luz quieta iluminar o silêncio.
Fogaréu
Via o mundo como uma brisa verde emoldurada.
Por viver, sem ter que saber.
Vibrâncias
O bolor da tarde dourava as alucinações das vidas caprichosas. Era o prelúdio das lendas noturnas.
O silêncio é a lembrança das palavras desfeitas, o vivido barulhento tornado mudo.
Folhas despencando sobre bokeh
Barganhar
A rua estava em promoção, os corpos transpiravam afoitos o desencanto aos 34 ºC, passavam pelas vitrines que simulavam a neve do norte e apertavam o passo para vender a alma e poder comprar o Natal.
O sonho não acabou
Na trama que se desdobra sob a secura de cegar do sol, levava furtivamente o pretexto que faz parecer legítima a intenção de continuar, de seguir representando o que imagina saber, mesmo sem ver, o que essa ilusão não permite ter.
Cyberinsônia
Diante da tela luminosa, desse emaranhado de pixels que insistem em dar formas ao visível e visibilidade ao legível, dessa profusão de sinais e estímulos que se projetam implacavelmente sobre as desgraçadas criaturas que se prostram com seu piscar imperceptível…
Contemplou a realidade de cima e esperou a tempestade tomar conta de tudo, até as palavras se afogarem e os amores escorrerem mofados pelas frestas. Esperou até o céu se fundir com a terra.
BH, centro
Anarchy in Province
Havia uma breve lembrança de atmosfera anárquica debaixo daquele viaduto colorido por escritos, rabiscos rupestres e com um odor corrosivo de urina. A cena se desdobrava com a anuência da lei, da permissão de se defender publicamente o sumiço do Estado. Era tudo bastante ordeiro.