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Originalmente era apenas uma foto de uma câmera TLR. Adulterada, envelhecida e transformada em vídeo, ela se juntou a uma máquina de escrever e a um manuscrito.
Fotografia e vídeo criados no smartphone por meio dos apps Adobe Lightroom, Photoshop Express e Adobe Rush, somados a um comando para que a IA gerasse uma breve trilha de jazz instrumental com o som de Big Band dos anos 40-50. Os algoritmos se apropriam da realidade analógica e fazem dela digital.
Em 1997, quando foi lançado por aqui “As Tecnologias da Inteligência”, de Pierre Lévy, já havia reflexões a respeito a respeito. Na era da internet discada e do Windows com suas recorrentes telas azuis, tudo isso parecia muito improvável. Ele não utilizou o termo “IA”, mas tratava exatamente sobre essa dinâmica. Ao antecipar o impacto ético e os desarranjos que isso iria provocar, Lévy foi uma espécie de profeta — seu texto não era um exercício de ficção, mas a visão de algo em que realmente acreditava que iria acontecer. Está acontecendo.