Ricardo Laf

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Tudo ainda estava na Era Analógica. Na infância, uma câmera fotográfica parecia uma máquina mágica, coisa só de adulto. Como podia ser, apontar a câmera para um lugar e roubar um pedaço visível daquele lugar? Tiveram a infelicidade de pedir a uma criança de X anos buscar o dispositivo que via como máquina de fazer mágica.

Busquei a câmera e quis praticar aquela mágica. Ao longo do caminho, fui fotografando sem pauta, sem tema, aleatoriamente, fazendo fotos inúteis, erradas, perdidas, nonsense até que a câmera parou de girar um botão. Não sabia o que era aquilo, apenas não fotografava mais. O encanto quebrou e era hora de entregar o dispositivo. Tinha torrado um filme de 24 poses, não sabia que os cliques acabavam.

A pessoa que recebeu a câmera sem funcionalidade tentou entender o que tinha acontecido e, ao descobrir, tentou entender porque aquele guri fez uma m* daquela. Era domingo, nada abria, não era possível ter outro filme.

Lembro que com o acontecido o clima da atmosfera do lugar parecia ser de perda total. Aprendi que a mágica pode acabar por certo tempo, mas queria que continuasse.

Até que veio a Era Digital e a imagem se fez um continuum imaterial emitido pelas telas mágicas de luz.

*A câmera é (tenho até hoje) uma Kodak Instamatic 133, lente de 43mm, foco fixo, abertura f/11 também fixa e fazia – porque seus filmes foram descontinuados pelo fabricante – fotos com as velocidades 1/40 ou 1/80, a depender da luz.