
Anos depois do retrato, um dia caiu uma tempestade digital de cores. Aquele instante deixou de ser uma fotografia. Converteu-se em uma imagem que poderia estar em qualquer lugar na qualidade de ser imagem, ela mesma, original, autônoma, distante da fotografia que a pariu, de seu lastro e razão de existir, isso que parece se dissolver sob a picardia das operações numéricas. Com o retrato contorcido pelo carrossel digital, a imagem não é mais verdadeira, mas também não é falsa. Ficou presa nessa fronteira, sem passaporte.